|
Por Amaury Cardoso
BRASIL, AINDA, O PAÍS DO FUTURO.
Gostaria de iniciar a
abordagem desse tema destacando um trecho da "Carta da Terra" tirado em
encontro recente realizado na ONU, endossado por cerca de 4,5 mil
organizações não governamentais, que diz: "Estamos diante de um momento
crítico na história da terra, numa época em que a humanidade deve
escolher o seu futuro...".
Partindo da premissa que
sustentabilidade significa a opção pelo desenvolvimento sem o
comprometimento dos recursos naturais, preservando o meio ambiente para
as próximas gerações, e que a atual crise mundial pode servir como
propulsora de uma nova mentalidade, entendemos que os desafios que o
Brasil tem a enfrentar para se manter como potencia do futuro não param
de crescer, exigindo uma conscientização e mobilização de toda
sociedade.
Nossos problemas estão focados em áreas estruturais
essenciais para se obter o progresso e desenvolvimento de uma nação. As
questões sociais, ambientais, educacionais e de infra-estrutura são
problemas conjunturais que se agravam comprometendo o nosso avanço e
acredito que só com ações claras e objetivas o governo terá condições
de envolver a sociedade, que entendo fundamental, comprometendo-a com o
desenvolvimento do país e, principalmente, fazendo com que atue em
conjunto para viabilizá-lo como nação socialmente justa e
economicamente próspera.
Muito se fala da capacidade do Brasil
de se superar, de avançar e de se consolidar como potencia
transformadora no futuro. Creditam essa crença às nossas imensas
riquezas naturais, nossa extraordinária biodiversidade, nossa riqueza
energética - em especial as não poluentes chamadas energia limpa e
renovável -, e nosso agronegócio competitivo, vetor principal de nossas
exportações, graças aos recursos naturais e à mão de obra relativamente
barata, diante de uma urbanização acelerada do planeta por alimentos
importados que elevará em até 50%, o que garante um mercado em expansão
as exportações brasileiras.
No entanto, mesmo diante dessas
"vantagens", que podem ser suficientes para assegurar o enfrentamento
da recessão e a retomada do crescimento, precisamos estar mais bem
preparados para competir em outro nível, o da produção de conhecimento.
Não iremos nos impor como nação central ( dominante) se não nos
colocarmos dentro do grupo das nações que dominam o conhecimento
através da pesquisa científica e inovação tecnológica, avançando com
investimentos significativos em ciência e tecnologia / pesquisa e
desenvolvimento, sem ignorar, é claro, o alicerce que é o ensino básico
de qualidade que sofreu profunda deteriorização nas últimas décadas,
onde, segundo especialistas, para superarmos nossa deficiência no
ensino fundamental e chegarmos em 2020 com índices satisfatório,
torna-se necessário reservar para a educação no mínimo 5% do PIB. Hoje
são investidos apenas 3,7%.
Um fato incontestável em escala
mundial é o fenômeno chamado de "globalização" que tem no seu ápice no
extraordinário patamar alcançado pelo desenvolvimento das
telecomunicações. Vivemos hoje na denominada sociedade em rede, onde a
mercadoria mais valorizada é a informação. É de se ressaltar que o
fluxo de informações concentra sua maior densidade na Europa e EUA,
ficando o terceiro e quarto mundos praticamente à margem do progresso
das nações digitalizadas.
O Brasil segundo analises
macroeconômicas recentes feitas por especialistas, ainda não é capaz de
acumular informações como nos países desenvolvidos, nem acompanhar as
mudanças sucessivas na área tecnológica, o que nos coloca em situação
desfavorável diante das grandes nações. O que se observa é que somos
fornecedores de mão de obra para o setor primário, e que a grande
maioria da população esta o que poderíamos chamar de subclasse
tecnológica diante do mundo digitalizado.
Embora o Brasil tenha
crescido em ritmo um pouco mais lento do que os demais países que
compõem os chamados BRIC ( Brasil, Rússia, Índia e China), é um dos
países com as perspectivas econômicas mais promissoras, levando até uma
certa vantagem sobre os demais face ter desenvolvido um modelo
econômico e social que assegura uma certa estabilidade, permitindo
investimentos e maior envolvimento do Brasil no comércio internacional.
No
entanto, enfrentamos alguns gargalos que exigirão do governo medidas
severas que visem solucionar problemas, tais como: reforma do papel do
estado - principalmente diminuindo seu espaço na área econômica -,
mudanças na lei trabalhista, no sistema previdenciário, e,
fundamentalmente, estimular um ambiente de mais inovação assegurando
nossa entrada no grupo de países que dominam a informação e detém o
conhecimento.
Outras deficiências que precisam ser superadas que são de igual importância, a saber: Baixo nível em investimentos; O tratamento insuficiente que há décadas é conferido à educação, em especial a fraca base educacional; O
insuficiente recurso destinado a pesquisa e desenvolvimento, ciência e
tecnologia, diretamente responsável pela nossa fraca inovação; A precária infra-estrutura física e humana. Sem
priorizar esses principais pontos, que irão possibilitar a recuperação
e avanço do país, dificilmente conseguiremos consolidar a liderança do
Brasil no mundo multipolar que começa a tomar forma.
Isso não
se resolve em curto prazo, e pelo visto diante de nosso atraso neste
setor teremos uma tarefa gigantesca pela frente, porem, este desafio
para quem é gigante pela própria natureza...
Amaury Cardoso
|