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Por Guilherme Maniaudet
A Copa de 2014
Não quero ser aquele chato que só sabe criticar. Porém,
na minha humilde opinião, não creio que em seis anos estaremos prontos para
sediar a nossa tão esperada Copa do Mundo. É lógico que é muito bom pensar
nesse torneio no Brasil. Imagine só uma final entre Brasil e Argentina em um
Maracanã lotado, com a Seleção Amarela dando show e levantando o caneco. Ia ser
ótimo. Mas também temos que pensar nos contras e nas dificuldades de um país
cheio de problemas - como o nosso - na hora de tal organização. Primeiro,
porque temos preocupações muito maiores do que sediar um evento de tamanha
grandiosidade. E, segundo, teremos infra-estrutura? Hoje, não precisa nem falar
que seria piada uma Copa por aqui. As idéias são muito boas, claro. Mas, por
favor, estádios em Manaus e em Cuiabá? Pelos projetos, as cidades e arenas
ficarão impecáveis. Tudo bem. Mas o que será desses estádios depois do evento?
Não existem times de massa nos locais. Ao ir nessas cidades, você vê que as
maiores torcidas são de clubes do Rio e de São Paulo. Por que não colocar
Goiânia como sede, e reformar o Serra Dourada? O estádio utilizado pelo Goiás e
pelo Vila Nova tem um dos melhores estacionamentos do Brasil. E esses dois times
têm torcida. Seria uma ótima herança da Copa para o futebol nacional. E o
que falar do Mangueirão, em Belém? Um palco com história e tradição que só
precisaria de reformas... E no Pará, ainda temos Remo e Paysandu - clubes que
também enchem estádio.
Resumindo, teremos belos elefantes brancos pelo
Brasil. Lindos e exuberantes, mas sem utilidade. A não ser quando tivermos jogos
da nossa Seleção por esses lugares, ou então quando times grandes, como
Corinthians e Flamengo, resolverem fazer partidas festivas por lá. Por
último, temos que prestar atenção, e muito, no dinheiro que será gasto. Pois
bastante coisa vai sair do nosso bolso. E superfaturamento em obras no Brasil
não é novidade. E, novamente, não quero ser o mala que vê defeito em tudo.
Porém, mais do que festejar, precisamos planejar o que estar por vir. Cinco anos
não é muito tempo. Seriedade e transparência serão indispensáveis. Mãos à
obra, Brasil!
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